Se você é professor ou educador, como faz o acompanhamento do seu trabalho pedagógico? Caso não faça isso, saiba que realizar o registro e a documentação pedagógica, de modo consistente, é essencial para acompanhar o progresso dos alunos. 

Mas não só deles. 

O registro e a documentação pedagógica servem para identificar as práticas que você precisa abandonar ou que precisa adotar. Isso porque um registro pedagógico consistente e bem documentado é essencial para acompanhar o progresso dos alunos, identificar áreas de melhoria e atender às demandas de avaliação.

Nesse sentido, organizar e arquivar documentos importantes, além de registrar observações e reflexões, são estratégias que devem receber atenção e otimização por meio das ferramentas certas. 

Então, para saber como criar um registro pedagógico completo e efetivo, que beneficiará você, seus alunos e sua prática, é só continuar a leitura. 

O que é registro e documentação pedagógica? 

Durante o ensino fundamental e médio, as escolas estipulam o tempo adequado para o desenvolvimento e a aprendizagem de determinados conteúdos. É o tempo do currículo, o tempo das séries de ensino, que, muitas vezes, não ajudam a desenvolver o aluno adequadamente.

Já no ensino infantil, a abordagem é outra. Ali, o que se tem é o tempo do desenvolvimento da criança. 

Segundo Alonso, Drape e Tomazetti (2021), “a Documentação Pedagógica é narração, explicação dos processos, situações e experiências escolhidas pela professora e que acontecem durante o processo de ensino e aprendizagem, e não ao final da experiência”. 

Nesse sentido, o registro e a documentação pedagógica ajudam a ver o desenvolvimento da criança durante o processo de ensino e de aprendizagem. 

É por meio desses artifícios que eles conseguem entender, pesquisar, analisar e predizer acontecimentos. Ou seja, os elementos do passado tornam-se fundamentais para uma análise crítica do presente e do futuro. 

Importância dos registros e da documentação pedagógica

No contexto escolar, assim, o ato de registrar se torna um aliado da boa prática pedagógica, por possibilitar o resgate de atividades, práticas e memórias. 

Desse modo, ainda citando Alonso, Drape e Tomazetti (2021), existem duas maneiras de realizar a observação: a observação do momento e a observação posterior ao momento. 

Observação do momento: observação mais rápida, que realiza-se durante o acontecimento. Por essa particularidade, os detalhes passam despercebidos. 

Observação posterior ao momento: essa observação acontece por causa do registro. Assim, é possível se atentar aos detalhes, visto que existe liberdade e oportunidade para rever e/ou reouvir os registros. 

Assim, com mais tempo para a análise pormenorizada, o registro capta informações que, no cotidiano escolar, apagariam-se ou receberiam menos relevância. 

Logo, ao registrar as práticas, o docente ganha uma coisa muito importante para qualquer profissional: tempo para pensar sobre a própria experiência. 

Tipos de registros e documentos pedagógicos

Para garantir efetividade no registro, recomendam-se algumas práticas e alguns formatos. Abaixo, vamos analisar um pouco cada uma das mais usadas. 

Diário de Bordo

Com a finalidade de registrar as ações diárias, descrever todas as informações necessárias e detalhar situações, o diário de bordo é uma ferramenta ímpar para o bom desenvolvimento do professor e da prática pedagógica. 

Nele, o professor pode anotar tudo o que achar relevante, desde o comportamento dos alunos, até as próprias percepções sobre o trabalho pedagógico realizado. 

Desse modo, essa ferramenta ajuda a acompanhar o trabalho escolar e refletir sobre ele. Para fazê-lo, é preciso:

  • anotar a data, o horário e o local em que a atividade foi realizada;
  • descrever com detalhes as atividades;
  • fazer comentários sobre a atividade e incluir observações e reflexões. 

A importância desse tipo de registro é tão notável que a Phorte Editora lançou dois livros sobre o papel do diário de bordo, o Diário de Bordo: instrumento de transformação de professores e gestores da Educação Básica e Diário de Bordo II: dos relatos minuciosos à construção coletiva. 

 Fotografia

Utilizar máquinas fotográficas, celulares e câmeras de vídeo para documentar é uma das formas de visualizar a própria prática. Nesse contexto, a fotografia, na documentação pedagógica, não é feita de modo aleatório, mas deve ocorrer de maneira cuidadosa. 

Com as fotos em mãos, os docentes conseguem não apenas registrar as atividades, mas realizar posterior análise delas. O objetivo é ampliar o olhar e refletir sobre situações que, de outra forma, passariam despercebidas. 

Ainda mais, o registro fotográfico possibilita que os pais também acompanhem o desenvolvimento escolar dos filhos, sendo uma ferramenta imprescindível para a aproximação entre a comunidade e a escola. 

Mini-histórias

Mini-histórias são um tipo de registro que expressam momentos importantes na trajetória escolar. Nesse sentido, elas retratam os instantes vividos pela criança, uma situação específica do cotidiano ou qualquer ação que valha a pena receber apontamento para posterior reflexão.

A construção de mini-histórias pode ser feita por meio de uma sequência de imagens, que podem ser fotografadas ou filmadas. As filmagens, nesse sentido, podem ser usadas para você tirar um print posteriormente e, assim, escrever a sua observação.

Após selecionar as imagens, organize-as de modo a contar uma história. A sequência de imagens deve narrar o que você observou durante a aula. Com essa organização, é possível mostrar as atividades desenvolvidas para os pais, outros professores e, também, para os próprios alunos. 

Essa disseminação é essencial para ampliar e para produzir conhecimento, como afirma Paulo Fochi no livro Afinal, o que fazem os bebês no berçário?: “O compartilhamento dessas histórias é uma forma de produzir conhecimento sobre os bebês, para narrar uma imagem de criança que é, faz, atua, e está curiosa para estar e se relacionar com o mundo. […] Dessa forma, a partir da imagem de bebê, constrói-se uma imagem de professor para os bebês, provocada pela emergência da observação, do registro e da reflexão sobre o que elas fazem” (Fochi, 2015, p. 95). 

Portfólio

A fim de relatar todo o processo de ensino e aprendizagem, o uso do portfólio na educação infantil revela-se como uma ferramenta multifacetada, capaz de proporcionar inúmeros benefícios, tanto para os educadores quanto para as crianças envolvidas no processo educativo.

Nesse sentido, o portfólio é formado por todas as produções das crianças durante a jornada escolar. Isso significa, então, que ele pode incluir fotos, desenhos, produções manuais, textos entre muitos outros elementos produzidos pelos pequenos. 

Para os professores, o portfólio se torna uma ferramenta valiosa, proporcionando uma apreciação mais abrangente das conquistas infantis. Ao analisar as produções, as educadoras encontram subsídios para um replanejamento das ações pedagógicas, visando ao domínio das aprendizagens almejadas

Você também vai gostar de:

A importância do movimento livre segundo a abordagem Pikler 

Conheça os dez direitos da criança 

O que incluir nos registros pedagógicos

Independentemente do formato escolhido e da estratégia, alguns elementos são essenciais para um bom registro. Listamos alguns pontos que não podem faltar: 

Planejamento: toda ação que pressupõe uma intenção precisa ser planejada. Nesse sentido, planeje o que você pretende alcançar com as atividades desenvolvidas e como fará a documentação do processo. 

Objetivos: estabeleça com clareza o que os alunos devem aprender em cada atividade.

Etapas: registre todas as etapas que aconteceram durante a aula ou as atividades.

Comportamentos, desafios e habilidades: registre a forma como as crianças se comportaram, quais foram os maiores desafios e quais habilidades elas mostraram ao longo da atividade.

Comunicação e interação: registre a forma como a criança interagiu e se comunicou com as outras crianças. 

Reflexão: após registrar, faça uma análise de todas as etapas. Reveja tanto o que poderia acontecer de modo diferente para uma próxima atividade quanto o que deveria ser mantido ou potencializado. 

Erros comuns na documentação pedagógica 

Visto a grande importância e os bons resultados que a documentação traz, muitos docentes a fazem. Contudo, esse trabalho pode não ser eficaz ou até mesmo desmotivar o professor se a sua realização não receber a máxima atenção. 

A seguir, listamos alguns dos principais erros que podem acontecer no registro e na documentação pedagógica: 

Falta de foco: no início, é muito comum querer registrar tudo. Não se recomenda isso, porque o registro deve ter um objetivo claro e bem direcionado para ser efetivo. Logo, as práticas de documentação devem ter um direcionamento específico.

Falta de objetivos: todo registro deve servir a um objetivo. Assim, registrar por registrar, sem aprofundar as relações e sem fazer uma reflexão crítica, pode gerar um trabalho vazio, consequentemente, desmotivador. 

Falta de especificidade: registros genéricos, que não trazem reflexão e que não detalham, são um problema para o aprofundamento da reflexão. 

Falta de organização: se o registro não for organizado de maneira ordenada, lógica e acessível, ele não será muito útil para o objetivo a que se propõe. 

Entre esses, existem diversos outros erros que podem ser evitados, mas que você só saberá como se estiver preparado de maneira adequada. 

Então, para que você tenha um trabalho pedagógico reflexivo, respeitoso e sem erros, a Faculdade Phorte oferece a pós-graduação em Registro e Documentação Pedagógica. 

Em aproximadamente 18 meses, você não vai apenas descobrir como registrar, mas vai aprender a refletir sobre a própria prática por meio dos seus registros. 

Para conhecer o nosso curso e se transformar em um especialista, é só clicar no link abaixo: 

http://pos.faculdadephorte.edu.br/pos-graduacao/registro-e-documentacao-pedagogica/